quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Hoje saudadiei...

Lanço mão desse neologismo para flexionar o adjetivo saudade como se fosse um verbo... isso porque a minha saudade não tem referência ao presente, muito pelo contrário... estou bem, tendo como contraponto definidor do meu contorno corporal o ar que me circunda... na verdade saudadiei do tempo em que eu precisava do seu corpo para dar contorno no meu... quando o meu corpo fundia-se nas múltiplas possibilidades de existência você estava lá, como para me conduzir de volta para o contorno de existência com você... Saudadiei desse contorno de existência pontilhado, saudadiei do pulsar da vida que esses intervalos de liberdade me proporcionavam... mas uma das mais sábias palavras de um compositor e poeta, que nem gosto tanto, está mais do que correta: o tempo não pára... e consequentemente não posso voltar a ele... mas nem é esse o desejo que penso imprimir nessas palavras...Flexionei o adjetivo como se fosse verbo, já que não faz sentido mais ter saudades de você no presente... na verdade, nem mais te conheço e é justamente por isso não faz sentido ter saudades de ti, se fosse isso, não estaria sendo justa comigo no aqui, justo agora... o meu presente é estar feliz no tempo de agora! apenas um devaneio de hora do banho... e uma vontade de imprimir outras plasticidades na vida... acho que não faz muito sentido isso, mas quem disse que era para fazer??? Mas que nos dias de hoje, uma das coisas mais revolucionárias é poder ter um intervalo na seqüência da vida para existir justamente no que não faz sentido... isso lá é verdade... e apenas se pode dar no presente.

TRILHA SONORA:
http://www.youtube.com/watch?v=N0St6yjhcys&NR=1

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